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Interacções elásticas a 1D
O modelo que foi o alvo de estudo mais profundo durante a realização deste trabalho é um caso mais geral dos modelos anteriores. Neste caso, considera-se, uma vez mais, um sistema discreto, em que não é permitido qualquer tipo de sobreposição. Quando é efectuada uma tentativa de deposição num local da rede sem nenhum dos primeiros vizinhos ocupados, a partícula difunde-se até encontrar um mínimo local do potencial. Quando esta posição de equilíbrio é atingida, a partícula começa a sentir o efeito da temperatura finita do sistema, começando a realizar um passeio aleatório com probabilidade
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Sendo que
pode ser expressa sob a forma de uma matriz simétrica com a diagonal principal nula4.1:
Logo, a energia total sentida por uma partícula devido a todas as outras deve ser:
Em que
No entanto, devemos ter determinados cuidados ao aplicar as relações anteriores, uma vez que apenas podemos simular um sistema finito (tamanho
) de partículas, devemos recorrer a condições fronteiras periódicas por forma a minimizar os efeitos de tamanho finito. Matematicamente, a introdução destas condições fronteira consiste em considerar que, em vez de um sistema finito isolado, estamos perante uma sucessão infinita de repetições do nosso sistema. Isto é feito calculando além das interacções entre as partículas do nosso sistema, também as interacções entre essas partículas e as suas imagens correspondentes em cada um dos outros sistemas.
A energia total
de interacção entre as partículas pode ser dividida em duas contribuições distintas. A primeira,
devido á interacção entre uma partícula e todas as suas repetições. A segunda,
, devida á interacção entre essa mesma partícula e todas as repetições de uma outra partícula.
Interacção de uma partícula com as suas imagens
A partir do que se expôs anteriormente é simples ver que a distancia entre a partícula original e as suas repetições se mede sempre em múltiplos inteiros de
Onde não se considera o caso
em que
Interacção entre duas partículas
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![]() |
(4.7) |
Sendo que a contribuição total deste termo é:
![]() |
(4.9) |
Se designarmos
![]() |
(4.10) |
Agrupando os dois somatórios e simplificando,
Considerando que:
em que
![]() |
(4.13) |
Se agora somarmos sobre todos os pares de partículas, a Eq. 4.8 toma a forma:
![]() |
(4.14) |
A energia total do sistema é então dada por:
No entanto, como no âmbito das simulações apenas estamos interessados em variações de energia, apenas utilizaremos o valor efectivo da energia, ou seja, apenas consideraremos os termos desta expressão que não são constantes, por forma a acelerar o calculo dessa variações o que tem como consequência, uma maior rapidez na realização da simulação.
Simulações
Durante as simulações realizadas, foi necessário aproximar o valor da energia obtido anteriormente, por forma a tornar as simulações mais rápidas, para tal procedeu-se à expansão em série de Taylor da seguinte expressão:
![]() |
(4.16) |
Tendo-se utilizado apenas os termos de ordem inferior a 25, o que permitiu aproximar rapidamente a função sem sacrificar a precisão dos resultados obtido. Os coeficientes obtidos na expansão encontram-se reproduzidos na tabela seguinte.
n 0 2.40411380631918802 2 12.4431330617204394 4 30.2504783214576855 6 56.1124699982606145 8 90.0444769743707595 10 132.016198161880371 12 182.005567059007837 14 240.001832927432934 16 306.000583913091261 18 380.000181234534153 20 462.000055079607285 22 552.000016451533692 24 650.000004842962297
O modelo descrito anteriormente foi simulado de forma relativamente simples. Uma posição no sistema é seleccionada aleatoriamente. Neste ponto da simulação podem ocorrer duas situações distintas. Se o local estiver ocupado, a tentativa de deposição falha e é escolhido outro local. No caso de o local escolhido estar livre, existem três possibilidades distintas. Se qualquer um dos primeiros vizinhos (p.v.) desse local estiver ocupado, a partícula adere definitivamente ao agregado pré-existente. No caso de ambos os p.v. estarem ocupados, a partícula agrega definitivamente ao dois agregados, que passam a formar um só com massa igual á massa total dos dois agregados mais a massa da partícula. Se ambos os p.v. estiverem livres, a partícula difunde-se devido ao efeito repulsivo do potencial gerado pela distribuição de massa presente no sistema afastando-se do agregado mais massivo e aproximando-se do que possui menor massa, até atingir o mínimo local da energia potencial. Nesta altura, a partícula começa a oscilar devido ao efeito da temperatura, com probabilidades dadas por
Durante o estudo experimental deste tipo de processos, recorre-se frequentemente a temperaturas dentro do intervalo
. Para que estes valores possam ser utilizados durante as simulações, é necessário ajustar
por forma a que o factor
. Na figura
Fig. 4.5 está representado graficamente o valor da energia em diversos pontos do sistema, considerando que as partículas têm todas a mesma massa e que o factor multiplicativo na
Eq. 4.15 é igual a 1. Como se vê, o valor eficaz da energia é da ordem de
, pelo que:
Definindo,
e considerando
, obtemos que este factor deve ser da ordem de
por forma a verificar a relação anterior.
Resultados
Devido ao facto de se permitir que a partícula sofra a acção de um potencial e da temperatura, é impossível escrever uma série de equações semelhantes á Eq. 2.8, já que não é possível determinar exactamente a probabilidade que um dado agregado de partículas tem de crescer em função do seu tamanho. No entanto, é sempre possível medir os valores das distribuições de probabilidade durante as simulações.
A partir da Fig. 4.6, é possível verificar que a distribuição de probabilidades se assemelha a uma distribuição de Poisson, que se vai alargando e tornado mais baixa com o aumento da cobertura do sistema. O alargamento, deve-se ao facto de que, com o aumento do numero de partículas no sistema, se vão formando agregados cada vez maiores, o que por seu lado, leva a uma diminuição do seu número, o que explica a diminuição da altura observada. A função de correlação verificada neste modelo, tem um comportamento semelhante ao observado na Fig. 2.10. Neste caso, o comportamento observado é mais oscilante, descendo abaixo de zero, voltando a tornar-se positiva, e só depois tendendo para zero, evidenciando, no entanto, ainda pequenas oscilações em torno deste valor. O comportamento mais regular de
No restante desta secção, estudaremos a forma como diversos factores, como a temperatura, o numero de passos de difusão e o valor de
, influenciam o resultado final. Para tal, realizamos diversas simulações, tendo como base os valores utilizados anteriormente, mas variando apenas um deles dentro dos valores que eles podem tomar.
Influência da temperatura
Começamos por investigar a influencia que a temperatura tem nas distribuições de probabilidades e nas correlações medidas. A partir dos resultados obtidos neste caso, foi possível verificar que a temperatura não tem uma grande influencia no resultado final, uma vez que as características fundamentais das distribuições obtidas se manteve imutável. As distribuições de massa no sistema estão representadas na Fig. 4.8
Nesta figura é possível verificar que a forma fundamental desta distribuição de probabilidades não se altera demasiadamente com a variação de temperatura, alterando apenas ligeiramente o seu valor em cada ponto. Uma vez que esta distribuição não altera a sua forma, é de se esperar que a função de correlação também se mantenha aproximadamente inalterada, isso encontra-se representado na Fig. 4.8.
Influência do numero de passos de difusão
O parâmetro que se fez variar em seguida foi o numero de passos de difusão
. O valor de
foi variado de
até
, tendo-se verificado que este parâmetro tem uma influencia muito maior no resultado final do que a temperatura (ver
Fig. 4.9).
Nos gráficos é possível observar que o aumento do numero de passos considerado resulta numa diminuição do numero de agregados de tamanho pequeno e um correspondente aumento do numero de agregados cujas massas são maiores, mantendo sempre a forma característica de uma distribuição de Poisson. O efeito observado pode ser compreendido se considerarmos que, o aumento do numero de passos permite que a partícula que se encontra a ser difundida se possa afastar mais do mínimo local da energia, aumentando assim a probabilidade de ela ir colidir com um dos agregados mais próximos de si.
Por outro lado, a função de correlação mantém igualmente a sua forma característica, mas é possível observar uma progressão do valor do primeiro zero e do valor mínimo na direcção de
crescente.
Influência de
Na literatura consultada, não parece haver um consenso acerca da forma como o factor
depende dos parâmetros característicos do material em causa, sendo que, de acordo com a definição utilizada, o valor obtido pode variar de varias ordens de grandeza. Segundo Saito et al[36] o valor de
é dado por:
![]() |
(4.19) |
Segundo Marchenko et al[23]
![]() |
(4.20) |
Onde
Com a variação deste parâmetro só ocorrem variações do resultado final, no caso correspondente a
, onde se verifica um diminuição do pico observado na distribuição de massa do sistema e uma consequente variação da função de correlação, que se alonga um pouco na direcção de
crescente.





















